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Terremotos recentes: qual a relação com as mudanças climáticas? Tem mais por vir?

Colômbia e Venezuela registraram sismos de magnitude acima de 7 em 2026. Cientistas explicam o que a pesquisa já mostra — e o que ainda não se sabe — sobre a ligação entre o clima e a atividade sísmica.

Camila Ferreira

Editora de Meio Ambiente

7 min de leitura

Ilustração de camadas geológicas e uma falha na crosta terrestre

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia em 10 de agosto de 2026, deixando mortos e danos a edificações em diversas cidades. Menos de dois meses antes, em 24 de junho, dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 abalaram o noroeste da Venezuela, causando destruição em áreas urbanas e uma sequência de réplicas. A proximidade entre os eventos reacendeu uma pergunta recorrente: existe relação entre o aquecimento global e o aumento de terremotos?

Para os grandes terremotos tectônicos, como os da Colômbia e da Venezuela, a resposta da ciência é direta: não há evidência que ligue sua frequência ou magnitude às mudanças climáticas. Segundo o geólogo Gustavo Ortiz, esses eventos têm origem no movimento das placas tectônicas, um processo geológico que opera em escalas de tempo muito mais longas do que as mudanças climáticas observadas nas últimas décadas.

Isso não significa, porém, que o clima seja irrelevante para a atividade sísmica em geral. O pesquisador Matthew Blackett, da Coventry University, mostra que o degelo de geleiras e a variação nas chuvas alteram o peso sobre a crosta terrestre em regiões montanhosas: no Himalaia, 48% dos terremotos registrados ocorrem nos meses secos, contra apenas 16% durante a estação de monções.

Outros estudos reforçam esse mecanismo indireto. A pesquisadora Cece Hurtado, da Colorado State University, descreve como o derretimento acelerado de geleiras remove uma pressão que antes 'travava' falhas geológicas, permitindo movimentações mais rápidas em cadeias de montanhas. Em pesquisa sobre o lago Turkana, no Quênia, a redução do volume de água também foi associada a um aumento de 0,17 mm por ano na movimentação de 27 falhas analisadas na região.

Diante disso, cabe perguntar: há mais terremotos a caminho? A resposta honesta é que a ciência ainda não consegue prever com precisão quando e onde um grande sismo vai ocorrer — isso permanece fora do alcance da sismologia atual. O que os pesquisadores conseguem fazer é mapear zonas de maior risco e monitorar falhas conhecidas, para que autoridades e a população estejam mais preparadas quando o próximo evento acontecer.

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Camila Ferreira

Editora de Meio Ambiente

Especializada em sustentabilidade, clima e políticas ambientais.

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